Uma dose de vergonha

16 de set. de 2014
Quando quero soltar todas as palavras, secar todas as lagrimas, imaginar que tudo que vivi poderia sumir naquele dia. Que toda a rejeição seria transformada em centro das atenções, o barulho da minha mente foi interrompida com algo mais alto que eu. 
O cúmulo da escrotice estava em mim, eu estava suja, fedida, bêbada, inconsciente. Era a piada da noite. Mas quem disse que ligo? 
No fundo, até que eu ligo sim, e ligo muito. Acordar com cheiro de bebida, maquiagem toda borrada, e embrulho no estômago não me deixa feliz, me deixa um tanto renovada, mas não dura muitas horas pra me cansar de tudo e todos.
Aguentar a vida consciente é difícil, é cansativo, estar fora de si é bem mais fácil de encarar a vida, porque ver o tanto que te julgam, criticam, mas nenhum deles estariam do seu lado quando você mesmo se questiona, é muito revoltante. 
A semana passa devagar quando o que você mais procura é o final dele. Tudo te estressa, te enoja, te revolta. É complicado entender que isso são fases adolescentes, e  que faz seu presente ser um rascunho do seu futuro. 
Estou morrendo aos poucos, querendo a atenção que pensava em merecer, querer o amor que me um dia me fez feliz. Mas era igual um copo de vodka. Na hora é tudo maravilhoso, depois você esquece, ou é obrigado a esquecer de lembranças que só te fariam agoniada de tudo, te faria borrar sua maquiagem, te deixaria triste logo quando acabasse. Faz o seu coração vibrar ao som de uma boa música. Deixar seu corpo quente em poucas atitudes de carinho ou atenção, e depois vomitar palavras jamais ditas, sentimentos jamais valorizados por alguém, cuspir o desgosto e a vergonha que te transformou depois de atitudes mal pensadas. 
Mas sempre querendo mais uma dose, mais uma rodada, tentando sempre se acabar aos poucos. Esse vazio de alguma forma que sempre tentamos preencher, ou com um velho amigo chamado álcool ou o grande veneno que eu chamo de paixão.

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